TERSERteza

Era jovem. Família de classe alta. Casado. Pai. A esposa, bonita e profissionalmente bem-sucedida. “Mais do que a mim” - provavelmente pensava.

No meio da semana o chefe lhe chama: “Não precisamos mais do seu trabalho. Obrigada, está dispensado.”

Meio atordoado recolheu suas coisas da gaveta do escritório. “Demitido” - a voz na sua mente ressoava repetidamente: “demitido”…

Ligou para a esposa. Contou o fato: “Fica tranquilo, querido. Conversamos à noite.”

Não se sabe o que pensou. Não se sabe o que sentiu. Não se sabe o que tramou. Apenas religou momentos depois: “Querida, estou indo para a praia”.

Ela não estranhou. Nos momentos livres, era comum descer a serra para surfar, espairecer…

Encontraram o corpo no início da noite. O carro parado no acostamento. Arremessou-se despenhadeiro abaixo. Talvez buscou o alívio… Mas… alívio de quê? Uma jovem viúva… uma criança órfã aos 11 meses de idade.

Quem foi que disse a esse cara que TER um bom emprego, TER um bom carro, TER uma mulher loira e peituda, TER TER TER faria dele alguém de valor?????????????? Pobres acreditadores de mentiras que somos!

Se ao menos tivesse aprendido a SER: ser pai é amar o filho a ponto de manter a vida para vê-lo crescer… SER esposo é permitir a esposa reconhecer a dor do seu mais íntimo sofrer.

Chega! Cansei dessa sociedade de hipocrisia! Só por vingança escolho viver!!!! E viver assim como sou, desse meu jeito de SER. Doa a quem doer!

Doa-se a quem doar!

Doa-se a quem doa!

Doa a quem doa-se!

Fim!

Sexo Selvagem!

Quem nunca desejou? Em algum momento, de manhã, à tarde, à noite, nos finais de semana, hoje, ontem, sempre?

Sim, senhores! O desejo é inerte ao humano. Ser humano é também desejar: um futuro melhor, um objeto consumível, um momento do passado, a comida especial, a presença de um amor, um cheiro de lembrança, a morte… Desejo.

Há desejos distorcidos? Tudo o que se deseja é bom, verdadeiro ou belo? Há desejos induzidos? Todo desejo deve ser realizado?

Eu tenho um explícito, publicável e egoísta desejo besta: aumentar os acessos do meu blog. Isso justifica o título desse post (perdoe-me os mais puritanos). Recentemente, minha irmão postou o título “Claudia Leitte” e teve mais de 600 acessos em menos de um mês! Eu, então pensei: que assunto atrairia um número absurdo de acessos via busca? Sexo! Óbvio!

Existe isca mais eficiente para fisgar a sociedade primitiva em que vivemos? A publicidade que o diga.

Droga, diante dessa questão desdesejei…. tomara a Deus que os acessos sejam ínfimos…

Você está esperando o quê?

Confissão Intimista (Por favor, não faça perguntas)

A mensagem que seu olhar transmitia era de vazio. Um vazio profundo. Olhar semelhante ao de um boneco: plástico, invivido. Tentava demonstrar que o corpo estava vivo, mas é praticamente impossível convencer quando a alma está morta. É ela que irradia luz, vivacidade, beleza e fulgor. A impressão era de que se alguém lhe gritasse dentro da boca, seria possível ouvir a resposta do eco. Vazio…

Conheceram-se pela Internet: “Oi, como vai?”… “Ah, eu nasci na mesma cidade que você”… Se identificaram. Ela, porém, tinha a alma coberta de sonhos e os olhos vivos das crianças curiosas. Ela falava, ele calculava. Decidiram se encontrar. Era dia 13 – pensou ele – não poderia mesmo dar certo.

(Rubiana, 31 anos, mulher, continua acreditando no amor e na beleza e bondade das pessoas)

Sobre sonhos…

Ontem tive um sonho estranho. Sonhei que eu acordava, abria os olhos e ouvia o som de crianças sorrindo. Um riso gostoso, longo, demorado. Elas conversavam. Era em uma língua desconhecida para mim. Levantei-me e segui em direção de onde o som dos risos leves e espontâneos brotavam. Eram crianças felizes. Brincavam e se alegravam. Tudo parecia tão simples. Tão puro. Tão sereno. Pude ficar ali, contemplando aquela cena por um longo período, enquanto os raios de um sol matutino beijavam meu rosto e intensificavam a luminosidade daquela cena.

Não havia significação nas roupas que elas usavam. Vestiam-se de forma semelhante: uma peça única, clara, translúcida. Era como que se eu visse aquelas criaturinhas alegres pelo lado de dentro. Sim, dentro delas, no íntimo do que elas eram. Não se cobriam de rótulos ou ornavam-se de valores externos. Eram totalmente perceptíveis pelo que tinham dentro de si. E riam… à vontade, livres no seu riso harmônico e partilhado.

“Que lugar é este?” – indaguei em meus pensamentos. Não parecia nada familiar, mas ao mesmo tempo era como se eu pertencesse àquele meio. Era como se eu sempre o tivesse tido em mim, ou o desejado de algum modo. A paisagem, o riso, os sons, a luz, as vestimentas e a paz. Algo que excede a todo entendimento humano. O tempo parecia não existir. Soava como o infinito, a eternidade manifesta.

De repente, quando dei-me conta de tudo aquilo, assustei-me. Corri para o leito, ainda quente do sono recém desperto, refugiei-me sob o cobertor e dormi. Um sono lento, profundo e aparentemente indespertável. Quem adormeceu o meu sonho?