Até que ponto eles conseguem mudar a realidade?
Esta dúvida me veio ao ler uma notícia do Dimenstein que contava a experiência do trabalho voluntário de alguns alunos de uma tradicional escola privada paulista que se dispuseram a dar aulas para estudantes de uma realidade bastante diferente das suas. Em determinado momento do texto, o jornalista questionava: “…até que ponto eles (os alunos da escola privada) conseguem mudar a realidade?”
Fui longe… meus pensamentos tomaram conta do tempo e esse trecho ficou ecoando e ecoando: …até que ponto eles conseguem mudar a realidade? Apercebi-me, diante da tal dúvida: afinal, o que é a realidade?
Fui, então, à fonte dos sábios. Sim, meus caros, o Google! Riam-se, é verdade. Acreditem: encontrei definições várias, dadas pelo dicionário e por alguns filósofos. A mais comum é a de que a realidade é aquilo que “realmente existe”. Sim, igualmente, fiquei tão insatisfeita com a definição quanto você. E depois de muito filosofar, o conceito que mais me satisfez foi uma teoria moderna que diz que numa sociedade de classes as idéias dominantes tendem a ter mais “voz e vez”, ou seja, ser a realidade.
Eis ai onde retomamos ao fato motivador da dúvida em questão: estariam esses jovens abastardos exercendo sua “voz e vez”? Ou estariam eles criando acesso para que os alunos da escola pública adentrassem o mundo dos privilegiados, digo, dos de idéias dominantes?
Não, não pense que sou anarquista. Nada contra quem seja, mas o que me veio foi um sentimento de culpa. Culpa e talvez vergonha. Até que ponto a cultura dos que não compram um Ipod de última geração precisa mesmo ser mudada? Não teriam eles coisas a ensinar aos meninos da tão tradicional escola privada? Por que não propor uma troca: “Ok, partilharmos com vocês a nossa cultura erudita, academica, prestigiada por essa sociedade que fez da arte e do prazer do belo mais um dos seus produtos de consumo, desde que vocês partilhem conosco a sua cultura também.”
Puxa, sonhos me vêem…. imagino o garoto play-boy despindo-se do seu tênis de grife e correndo livre pelas ruas estreitas da periferia, no empenho de empinar a pipa que acabou de aprender a construir. Sorrindo consigo mesmo por seu feito. Sua engenhoca de voar… Não que o tênis de grife seja mau por si só. Não. Mas no momento em que a leve seda rende-se ao inclinar do vento, o que vale é a descoberta de que há tantas muitas outras realidades quanto nossos pés podem alcançar…
Nova dúvida me acomete: o que aceitaremos como realidade?
(Rubiana tem 31 anos é professora de Língua Portuguesa para adolescentes de escolas particulares e públicas e acredita no respeito entre os diferentes e na valorização do que há de melhor em cada ser humano)
Arquivado em: Conversas, Desabafo, consciência



yo sista!
o conceito de realidade é uma coisa muuuito filosófica. Até o nosso amiguinho das letras, o Tio Borges, discute isso num texto dele.
amo-te-amo
=**
Cadê o texto dele, systa????
Oh, propaganda…
AGORA EU TENHO UM BLOG!
de novo!
=*
Que blog inteligente esse!!! Seria da maravilhosa profe Rubiana??
Rubi, queria ter sido sua aluna. Acho admirável e de extremo respeito professores que se dedicam a fazer seus alunos pensarem.
Mais do que teorias e decorebas, aprender a pensar e questionar é a única coisa que realmente utilizamos na prática!
Amo-te!
Poucos param para pensar nisso.A grande maioria aceita tudo oq acontece com uma naturalidade absurda,e falam “temos que encarar a realidade”.
mas que realidade é essa? será que essas pessoas vivem na realidade?
Afinal qual é o nosso ideal de realidade?!
beijos Rubi,parabéns pelo Blog.
oooooooooooooooooi prufezora lindah (:
paraaaaaaaaabeinx pelu blog !
bjuuxxx
Essas minhas alunas são umas fofas!!!!!!!!!