Há mais ou menos dois anos descobri que eu não conhecia os homens. Sim, concordo. Parece estranho imaginar que uma mulher de 30 anos, que vive numa sociedade não-islâmica, que convive diariamente com homens (entenda bem: ser do gênero masculino) não conheça homens. Explicarei (e aqui “conhecer” não tem nada a ver com o sentido Bíblico, entenda bem).
Na ocasião me dei conta que eu possuía uma série de idéias a respeito do que um homem sente, pensa, acha, ou seja, dos paradigmas e da psique masculina, que na verdade não condiziam com o que os homens são de fato. Eu criei (pela minha história de vida, e pela minha ignorância no assunto mesmo) uns cem mil pré-conceitos.
Então, identificado esse desconhecimento, resolvi confrontar os meus cem mil pré-conceitos. Iniciei, assim, um processo de “aproximação e descoberta” (rs.. putz, pareço Darwin falando…). Essa “descoberta” gerou algumas impressões. Por exemplo, admiro a objetividade masculina, a forma como parecem simplificar as coisas e o misterioso poder que os homens têm de fazer com que eu me sinta protegida.
No entanto, reconheço que há um aspecto que identifico no comportamento masculino, o qual, mais do que me assusta, me APAVORA. É a agressão.
Todos nós, seres humanos, possuímos agressividade. É graças a ela que a espécie humana permaneceu viva até aqui. Ela é normal e faz parte da afetividade humana. Já agressão é outra coisa. Agressão é o que a gente faz com essa agressividade natural que possuímos, a qual pode ou não ser violenta ou danosa.
O que me apavora é o modo como os homens lidam com a agressividade deles. Tenho a impressão que estão um tanto confusos. Nesses meus dois singelos anos de “desbravamento do masculino” identifiquei duas formas muito terríveis e principais de agressão, das quais ramificam inúmeras outras (por favor, senhores, não sou especialista no assunto. Sou uma mera pensadora da minha realidade, não me levem tão a sério…)
São elas a agressão explícita e a agressão implícita (ou velada). Ambas são igualmente cruéis.
A agressão explícita é aquela (bem primitivinha) em que o homem ameaça: usa o corpo para atacar a vítima da sua agressão (com apertão, aproximação intimidadora, socos, etc) ou palavras e atitudes agressivas. Eu, por exemplo (para não dizerem que estou falando de não-vivências), me deparei com um sujeito que várias vezes ao dia por dias, enviava e-mails ameaçadores, ou seja, violência explícita.
A agressão implícita (ou velada) é aquela (bem conhecida do pecado-original) na qual o homem se omite. A omissão, ao meu ver é a forma mais covarde e mais maléfica de agressão. Porque na agressão explícita a vítima tem oportunidade de defesa, de comprovar a agressão, e de até ajudar o “ser-animalizado” a se humanizar e sociabilizar, já que ele se expõe. Na omissão não. O cara se cala, algumas vezes se auto-tortura, mas em geral se refugia, e o silêncio, a indiferença, o “não me posiciono diante disso”, deixa (principalmente a mulher) exposta à sua agressão silenciosa.
Reconheço perfeitamente que ambas agressões são tentativas de defesa, de proteção. Então me pergunto: estará o homem moderno sentindo-se tão desprotegido assim? Ou será que na sociedade (cada vez mais feminina) em vivemos, a agressão tem sido cada vez mais mal vista e, portanto, já não é mais uma linguagem que reorganiza as relações pessoais? Ou será ainda que os homens estão se sentidos tão exigidos que vivem “na defesa” e nem percebem o estado agressor que se colocam. Ou será que eu continuo não entendendo nada mesmo de homens?
Não sei. Só sei que tenho dó, porque em geral o homem não é criado para entrar em contato com a própria afetividade. Quem não conhece a clássica idiotice: “Homens não choram”? (ao som do The Cult, Rubiana???? Não seria “Boys don´t cry? bláaaaaa) O que isso irá gerar? Irá? Já está gerando…
A solução? Quem sou eu para tê-la! Já me basta prepotência suficiente para escrever um post como esse, mas sugiro um caminho, não inédito, preconizado por Socrátes: “Conheçe-te a ti mesmo”. E fico feliz, por eu ainda não ter desistido de acreditar na beleza da afetividade dos homens.
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