Das disponibilidades humanas…

“Como feijão e arroz / Que só se encontram depois de abandonar a embalagem”

Fernando Anitelli

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Sabe, nessa minha expontânea busca por saber, um aforismo me veio: as pessoas são como castelos medievaisDaqueles protegidos por imensas muralhas rodeadas por um lago. Algumas escondem em seus lagos ferozes jacarés, outras optam por não terem lagos.

Seja com ou sem jacaré, a questão é que o único acesso legítimo ao Castelo é pela PONTE. Tentar entrar por outros meios torna o acesso ou ilícito, ou violento, invasivo. É sempre uma agressão forçar a entrada.

Acontece que tenho visto muita gente reclamando que não encontra alguém legal pra habitar o seu castelo, mas essas… as quais NÂO ABAIXAM AS SUAS PONTES.

Explico: como você será amado(a) se você não permite as pessoas terem acesso a você? Pontes é aquilo que nos une aos outros, é a nossa disposição e disponibilidade para nos DEIXAR CONHECER, para partilhar de quem somos, da nossa vida, do nosso ser. De ligar pra saber COMO TÁ? De convidar, de fazer nada, de servir, de estar…

Tão próximos e tão distantes…

Alguém ai, por gentileza, me conta: em que universidade aprendo a CONSTRUIR PONTES QUE NOS LIGAM AOS OUTROS? Tô a fim dessa engenharia… Ou simplesemente, ser uma casinha construída sem muros, acessível às interperies da natureza?! Sim, talvez. Entretanto, disponível também para os curiosos, atentos, precisados (…) visitantes…

Boring…

“Se você se sente só, é porque construiu muros e não pontes”

 “OS OPOSTOS SE DISTRAEM… OS DISPOSTOS SE ATRAEM”

f.aNitelli

 

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Da (in)sensibilidade masculina

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É, “sem horas” e “sem dores”, como percebem estou me especializando em “Homens”…rs. A análise, agora, é sobre a velha máxima “Homem é insensível”. Será??

Não sei quanto a você, mas eu tenho uma forte impressão de que existe um preconceito, uma resistência, à sensibilidade masculina. De onde surgiu isso eu não sei exatamente, talvez após o século XVII, com a super valorização da razão. Só sei que acredito ter fortes raízes na ignorância. Sim! Por que ignorância é o “estado do não-saber”. Sendo assim (antes que sua ignorância comece a gritar para você mesmo que sensibilidade é coisa de boiola) que tal buscarmos saber, oh raios d´água, o que significa a palavra “SENSIBILIDADE”?

Para isso reproduzo aqui as palavras da Filósofa Márcia Tiburi (http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=29):

(…) a sensibilidade é uma categoria do conhecimento e uma categoria política. Ela é a base, a via de acesso ao mundo externo ao nosso corpo, o modo como se estabelece nossa relação com as coisas, justamente por ser um modo como experimentamos nosso corpo e os demais corpos. É o modo como olhamos para as coisas, como ouvimos, mas também como as pensamos.

O que melhor resume a sensibilidade é que ela é uma capacidade de ter atenção às coisas, o modo como nos dispomos ao que não somos e não conhecemos.

O uso da razão, a produção do pensamento, depende desse gesto inicial de disposição, que envolve silêncio, a boa passividade e a escuta. O esforço de cada um, de todos os seres que sentem e usam a razão (sejam profissionais das artes, da filosofia, ou não), deve ser o de reunir, estabelecer pontes, reintegrar as capacidades. Toda nossa relação com a natureza e com o outro – além da relação com nosso próprio corpo, nosso próprio eu – depende deste esforço de integração do que está separado.

Resumindo minha gente: sensibilidade é a capacidade de PERCEBER. Perceber o outro, a mim, as situações, o momento. E essa sensibilidade, me perdoe, não é, nunca foi e jamais será exclusiva das mulheres. Ela é um atributo do HUMANO. Acontece que temos nos brutalizado, homens e mulheres. Temos nos esquecido de afinar o olhar. Quer ver um belo exemplo de que há sensibilidade nos homens? Basta ler Saramago, por exemplo. Ele é homem e escreveu uma bela lição sobre essa indiferença humana em “O ensaio sobre a cegueira”.

Talvez por ter, há mais tempo do que a mulher, de ser “máquina que supre o ideário produtivo e gerador do capital” o homem masculino foi se afastando dessa percepção de si mesmo e do seu redor. Adequou-se em ser razão. É a síndrome do cabeção: o cara sai da universidade com a cabeça cheia de conceitos e com o coraçãozinho pequeno, pequeno. Praticamente esquecido. Não é de se estranhar que tantas pessoas sejam excelentes profissionais ultra-mega-bem sucedidos e pais/maridos/amigo/filho fracassados.

Seja você homem ou mulher, deixo aqui um lembrete feito pelo genial Chaplin no “moderno” ápice da industrialização do século XX: “Não sois máquina, homem é que sois.” E um convite meu: que tal começarmos agora mesmo a resgatar a nossa sensibilidade? É um aprendizado, é possível e vale a pena 🙂


Das diversidades…

– Tenho dificuldade… Assumiu diante dele.

_ Tenho dificuldade. Não consigo assumir compromissos. Não percebo, é inconsciente, mas associo a uma experiência ruim.

O silêncio encheu o ambiente. Daquele conhecido intervalo dos amantes, em que a palavra cala para ouvir o olhar.

– Você aceita ser meu “ficante”?

– Se é melhor para você assim, por mim tudo bem.

Ela agradeceu, aliviada, certa de que está fora de perigo. Falam-se todos os dias, vem-se com regularidade. Não há outros ou outras. Apenas ele e ela.

– Somos apenas ficantes, justificou-se à amiga.

“É minha namorada.” – Sussurou ele consigo, sem notar o desenhar de um sorrizinho maroto nos lábios…

O ficar e o Amar…

FICAR: Verbo de LIGAÇÃO e INTRANSITIVO. Soa como algo que liga, mas que não depende de nenhum outro termo para ligar-se ao outro (termo). Diferente dos verbos transitivos que necessitam de seus COMPLEMENTOS. Os INTRANSITIVOS são verbos que possuem sentido pleno, completo, que não precisam de um COMPLEMENTO podendo construir, SOZINHOS, o predicado.

É minha gente, a língua representa mesmo o mundo da gente. Não sei bem se representa ou se explica, mas acredito nessa “denúncia” que a língua nos dá. É por isso que insisto em que precisamos ser bons leitores, para ouvirmos as dicas que ecoam por trás das singelas palavras. E aqui detém-se minha reflexão.

Recentemente, eu conversava banalidades e casualidades quando uma amiga, de idade próxima a minha e que costumeiramente se queixa de estar solteira mostrou-se (confesso que para minha surpresa) favorável ao FICAR. Até ai tudo bem (se é que eu consigo mesmo ficar – olha o sentido, hein – indiferente ao que vivencio), mas o tema voltou a me incomodar quando conversando com outra pessoa, em situação distinta (ambos aqui citados sequer se conhecem ou convivem), em idade próxima a minha – vale ressaltar – também mostrou-se favorável ao tal do relacionamento “ficar”.

Ai, senhores, confesso que eu comecei a me preocupar. Sim! Por que pensei: “Xi, tô tão moralista assim? Envelheci mesmo, hein? Tô “fora da casinha?” E toda aquele conflito que surge quando você não é idêntico ao meio. Sim! Fui repensar os meus VALORES!

Como vocês sabem, dentre cozinhar, dirigir, brincar com a minha sobrinha de 02 anos e tantas infinidades de coisas que gosto de fazer, inclui-se o pensar. Só que pensar é mais que gosto, é reflexo. Tão automático quanto respirar ou deixar o coração bater. E assim fiquei, pensando isso nos intervalos entre um e outro pensamento qualquer… (rs)

E ai brotou uma conclusão, a qual relato aos senhores na forma desse humilde texto. Por favor, vocês sabem que estou totalmente aberta a DIALOGAR sobre o assunto (amo isso! acredito no diálogo como forma de convívio entre pessoas e instituições). E ai vai minha idéia básica sobre o ditinho FICAR.

Como cidadãos de um Estado Democrático de Direito (achei tão chique esse termo, deve ser porque eu nasci na Ditadura!), nosso maior direito é o da LIBERDADE, certo?

Pois bem. TOOOODOS sabemos que a liberdade é LIMITADA e TEM PREÇO. Calma. Explico-lhes: como uma mocinha na faixa dos 30, conquistei a LIBERDADEde não precisar dar muitas satisfações aos meus pais. O PREÇO disso: pago todas as minhas contas e meu pai não me sustenta mais.

Ok. Isso é só um exemplinho pequenininho. Porque tem mais um detalhe: a LIBERDADE pressupões IGUALDADE, ou seja, tenho tanto direito de exercer minha liberdade quanto o outro, assim a minha termina onde a dele começa e ai vai. Resumindo: a dignidade é o limite. Tudo aquilo que fere a dignidade ou o respeito ao outro é o limite do que eu posso ou não fazer no convívio social. Quer dizer, deveria ser assim. E por não ser tão assim, percebemos  o NIVERRRRRRRR evolucionário que estamos, ou enquanto brasileiros, ou enquanto HUMANOS.

Tá, e esse blá, blá, blá todo tem a ver com o que no FICAR???? Com tudo, minha gente! Você já entenderá, é simples.

A escolha de ficar implica em exercer sua/minha/dele LIBERDADE, certo? É um pacto social entre dois seres (heteros ou homossexuais) que CONIVENTEMENTE aceitam saciar-se sexualmente sem se comprometerem emocional ou socialmente. Ou seja: implicitamente um comunica ao outro: “Irei te usar para me saciar meus instintos mais primários, tudo bem?” e o outro, conivente, consente.

Alguns a essa altura da leitura já estão indignados dizendo sozinhos: “Ahhhhhh, não é bem assim não! Não rola sexo, é só suprimento de carência mesmo.”  Mentira! Pois quando uso a palavra sexo aqui refiro-me aos seus vários níveis. E, convenhamos, senhores, sabemos o quanto beijos (ingênuos, ohhhh) e carícias são sexualmente estimulantes nesse tipo de relação ou você quer tentar me convencer que num pacto relacional em que eu me eximo do sentimento o objetivo seja outro???? Ok… querem me (se) enganar… É, concordo que a ignorância é uma delícia… Ahhhhhh, sim! Nisso eu concordo! Pode rolar do FICAR evoluir para um sentimento, um namoro, quem sabe. E ai entra o segundo ponto:

Diante disso, o FICAR torna-se um ato extremamente IRRESPONSÁVEL. Ohhhhhhhhhh, os já anteriormente indignados amanhã já nem falarão mais comigo…rs. Brincadeiras a parte, segundo o dicionário IRRESPONSÁVEL significa: aquele que não responde pelos seus atos. Sendo assim, considero até aceitável que menininhos e menininhas de 13, 14 – 16 anos fiquem ou desejem praticar esse tipo de relacionamento irresponsável e que vise a apenas uma saciação sexual. Afinal, todos fomos adolescentes e sabemos o que os hormônios nos causas (além de espinhas). É a fase da descoberta do outro e qualquer especialista explica isso muito melhor que eu. Mas o que me preocupa é que essa atitude, dentre as outras tantas típicas da irresponsabilidade adolescente, se estenda a adultos (ou àqueles que deveriam agir como tal).

Oras, se já passei da adolescência, se tenho condições de assumir compromissos responsáveis (pelos quais posso responder pelo meu sentimento/emoção/tesão) e tenho também consciência do outro e sou TAMBÉM responsável pelo outro. Considerando, inclusive, aquilo que posso provocar no outro. Por que não o faço? Assim, se eu fico e o outro se apaixona/ama/gosta de mim eu simplesmente digo: “Problema seu”, viro as costas e vou-me embora pra Passargada (mesmo!)????? I-RRES-PON-SA-BILIDADE! Pois, parafraseando Exupèry, se cativei, agora sou RESPONSÁVEL por isso, ou seja: devo responder por isso.

Quer dizer, os “adultos” continuam imaturos emocionalmente. Com medinhos de assumirem responsavelmente o outro, de respeitarem a si mesmos e a outros. E depois ainda tenho de ouvir desses mesmos “ficadores”: Aiiiiiiiii, não encontro ninguém! Hum…

Ou sejamos responsáveis, conosco em 1o lugar, e crescemos emocionalmente, ou continuaremos vendo umas locuradas por ai (de guri matando namoradinha de 12 anos, por exemplo).  Além de zilhões de gentes sozinhas, reclamando e carentes. Por que quando beijar todo mundo suprir a carência de alguém, eu sou a 1a a promover isso. No entanto o que vejo é um efeito “açúcar” quanto mais se come, mais dependência causa. Ai busca outro “docinho” pra suprir a dependência, e assim vai, de docinho em docinho…

Alguém ai disposto a um amor responsável junto comigo? 🙂

Com carinho, consciência e sempre buscando a essência das coisas, Rubi

Arte Factus Falus et ?!

O dicionário define arte das seguintes fÔrmas:

1. Conjunto de preceitos para a perfeita execução de qualquer coisa;

2. atividade criativa;

3. artificio;

4. ofício;

5. profissão;

6. astúcia;

7. habilidade;

8 . travessura.

Claro que a definição que escolhi foi travessura. Não assim aquela travessura de bagunça, de mal-feito, de malícia. Não. Mas uma travessura curiosa, de criança que se encanta. Sabe como? De quando a gente é pequeno vê borboleta e grita pra mãe: “Maaaaaaaãe! bOboleta!” E aponta o dedinho com um risinho travesso de quem acabou de descobrir algo. Porque a arte, senhores, é a sublimação do belo, é a expressão da angústica calada de quem percebe o seu derredor. É, portanto,  uma condição do OLHAR. Toda criança tem um olhar “arteiro”, uma facilidade de se encantar, de se admirar do ser.

A questão é que insistimos em crescer sisudos. Ignorando a criancice que outrora habitou em nós. Claro que há aqueles que de alguma forma mantiveram viva a criança interior. Esses, meu caros, são os artistas. Há os que os consideram meio doidinhos. Não importa. Não viciaram o olhar. Mantêm viva a “contemplação borboleteal” e ao ouvir o barulho da chuva, numa segunda-feira fria, dizem a si antes de se prepararem para o trabalho: “Que bonita a sinfonia que faz a terra brotar”. Poliana? Talvez. Mas prefiro pensar que é “poetiana”.

Outra travessura da arte é que ela ousa. Quem me conhece sabe que eu tenho uma certa necessidade intrísica (sim, é mais forte que eu… já tentei controlar, acredite) para o novo. Como diz o Miojo: a-d-o-r-o! Falou em inovação, é comigo mesmo. Essa coisa de ousar, de transpor, de romper – seja com paradigmas, conceitos ou com padrões – faz parte de eu ser eu. Por que sou assim, não sei. Talvez eu tenha nascido para isso, ou aprendi a ser assim: travessa. Sempre procurando uma borboletinha pra borboletear, para contemplar, para descobrir, para gritar apontando o dedinho: “Mãaaaaaaaaaae! Borboleta!” E correr livre atrás dela, praticamente acreditando que também poderei voar…

(maybe let´s continuous)

Belas e famosas – Parte II (European beautiful)

Que tipo de beleza você quer ser?

Tereza Rejfirova – Height 1.78 m; Size 36; Bust 90; Waist 62; Hips 92; Shoes 38; Eyes blue; Hair blon . Validade da sua beleza: aproximadamente até os 36 anos.

Tereza KerndlovaHeight 5.8 pounds; Size 36; Bust 90; Waist 62; Hips 92; Shoes 40 (european size); Eyes green; hair brunnet. Validade da sua beleza: aproximadamente até os 36 anos.

Tereza de Calcutá Height dos gigantes imortais; Size da compaixão pelos desprezados; Bust do tamanho do amor incondicional; Shoes capaz de deixar a própria pátria em prol do outro; Eyes para os necessitados; Hair white. Validade da sua beleza: a infinitude. É imortal.

Seja original. Recuse imitações.

“Padrão de beleza”? O que é único, não se padroniza. Ou você não é?

Sexo Selvagem!

Quem nunca desejou? Em algum momento, de manhã, à tarde, à noite, nos finais de semana, hoje, ontem, sempre?

Sim, senhores! O desejo é inerte ao humano. Ser humano é também desejar: um futuro melhor, um objeto consumível, um momento do passado, a comida especial, a presença de um amor, um cheiro de lembrança, a morte… Desejo.

Há desejos distorcidos? Tudo o que se deseja é bom, verdadeiro ou belo? Há desejos induzidos? Todo desejo deve ser realizado?

Eu tenho um explícito, publicável e egoísta desejo besta: aumentar os acessos do meu blog. Isso justifica o título desse post (perdoe-me os mais puritanos). Recentemente, minha irmão postou o título “Claudia Leitte” e teve mais de 600 acessos em menos de um mês! Eu, então pensei: que assunto atrairia um número absurdo de acessos via busca? Sexo! Óbvio!

Existe isca mais eficiente para fisgar a sociedade primitiva em que vivemos? A publicidade que o diga.

Droga, diante dessa questão desdesejei…. tomara a Deus que os acessos sejam ínfimos…