Carnaval – Folia

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As abelhas e o choro da menina

Tenho uma aluninha de uns 10 anos de idade que vira e mexe chora lágrimas de profundo engajamento por uma causa aparentemente tola e, talvez, insignificante, porém que eu julgo de imensa nobreza.

Algumas abelhas, vira e mexe, perdidinhas coitadas, entram pela janela da nossa sala de aula. Pensa no zumbido que fazem, não elas, mas as 39 crianças que estão sob minha tutela! É aquele alvoroço, por mais cotidiana que seja a visita: é criança se levantando para ver mais de perto, é criança gritando para matar, é criança gritando para viver, é criança tentando se livrar, é criança tentando salvar.

E essa aluninha, forte e sensível, abraçou um ideal: não permitir que ninguém mate as abelhas-visitas.  Escrevo isso na tentativa de minimizar a culpa. A primeira vez que o episódio ocorreu, sob apelações de “Mate-a!”, contei a eles um fato: as abelhas estão ameaçadas de extinção. Nos EUA elas estão abandonando as colméias sem explicação aparente e em SC também… Pobre abelhas confusas…

Desde então, uma flor idealista nasceu no coração da menininha chorona. E eu que hoje mesmo pensei comigo que a geração de idealistas já não existiria mais…

(Des) Ilusões…

Sabe aquelas figuras que permitem mais de uma percepção, porque elas causam ilusão de ótica?

Então, estou muito nessa de achar que a vida é assim, multifacetada. Até ai tudo bem. É uma obviedade tola essa minha. A questão que me intriga no momento é: se podemos ver o que queremos, porque há pessoas que insistem nos mesmos velhos problemas?

 E pior que reafirmam a culpa “É a mãe… É do marido… É do pai que… É do trabalho… É…” E dela, nada? Trágico saber que sempre desfrutrará da realidade que escolheu ver na êfemera figura chamada Vida…

De quando…

Tem dias quando a gente sente saudade…
Tem dias quando a gente sente medo…
Tem dias quando a gente sente vontade de dizer que ama…
Tem dias que a gente sente vontade de dizer que não gosta…
Tem dias que a gente sente vontade de não dizer nada…
Tem dias que a gente sente vontade de falar bobagens…
Tem dias que a gente sente vontade de gritar com alguém…
Tem dias que…
Mas tem aqueles das necessidades.
Ai a gente vai e não faz nada!

sal dade

Nada como alguns instantes no silêncio do sozinho para se lembrar das boas lembranças depositadas naquela memória que fica no coração.
Saldados sejam seus depositários!
São os gestos de gentileza que nos faz desejar revê-los…
Sonhei com o Pagliosa, pensei fundo na Wal, quis o sorriso soluçado da Rô e o barulho daquelas gentes que entravam (e permaneceram bem aqui) nas salas por onde andei… Senti saudade do jeito suave da Cris se “palhaçando” na palhaçada que topavamos juntas e encontravamos cumplicidade na desculpa de maquiagem da Fernanda. Será que faríamos aquelas coisas se fossemos só uma?
A bondade é uma coisa que faz a gente tão grande, mas tão grande que te tira do chão, te faz viver no flutuar. Deve ser por conta dela que sentimos saudade…

Apertei o botão sem perceber.

Acionei o mecanismo sem prever

O estardalhaço da explosão

Destroços, destroços, destroços

Que troço é esse que restou?

Será que é mesmo do homem? Ah, peguei pra mim!

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

Fernando Pessoa – 70º aniversário da sua morte