Lamento…

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Lamento ter desaprendido essa coisa tão comum, tão inerente, ao ser humano, que é o amor.

Às vezes me pego refazendo caminhos. Voltando à procura do lugar onde perdi a capacidade de lidar com isso de forma natural, tranquila, normal.

Uns têm medo da morte. Eu.. bem, eu, infelizmente, confesso, tenho medo da morte, não. Amar é muito mais assustador. Infinitamente…

A morte eu resolvi em mim, fiz minha crença me deixar acreditar pra onde vou. São as certezas (ainda que inverdades) que geram a (necessária) sensação de segurança. Mas e o amor? Para onde ele nos leva?

Para o outro, talvez. Esse ser tão desconhecido… Esse infinito universo de surpresas dinâmicas.

Quem me deu razão?

Quem me ofereceu a lógica?

Descartes, quantas vezes você se apaixonou?

Em que livro escreveu-se menos sobre “O método científico” e mais sobre o método de se viver livremente com nossas emoções?

Quem quiser me dar razão, seja ao menos humano, solidário, e me ofereça um coração. Tá, por hora aceito um lenço, vai…

Rubiana dos Cantos, antes que se entregue aos desenCantos…

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“Durma medo meu”

As figuras atormentadas sucubiam-lhe a mente, entre o devaneio e a insônia, entre

o início do sono e o pesadelo. Taquicardia. Suor. Não-palavras. Não-fatos. Apenas projeções de uma alma marcada. Cicatrizes dilacerantes, que como as da pele dizem-se ali, presentes, durante os dias de chuva intensa. As da alma esperneiam em momentos de exposição ao novo, ao inédito, ao objeto do desejo de se proteger.

– Adoramos correr riscos. Gracejou – comemoramos por chegarmos vivos lá embaixo.

– A cada situação nova, inesperada, que representa um perigo, surge o medo. – Explicou-lhe – o medo irracional, sem causa real, deve ser enfrentado. Nosso inconsciente não diferencia fantasia de realidade. Por isso, ficar pensando em todas as vezes que não conseguiu, ou ainda, que nem adianta começar, baseando-se nas experiências anteriores negativas, fará com que sua mente reaja de acordo com esse pensamento, pois o medo nasce da associação que nossa mente estabelece com essas experiências, sem discernir que não ocorrerão mais. Sua mente não sabe distinguir o que é passado e presente, realidade e fantasia. E se esse seu pensamento continuar presente, sua mente irá acreditar nele como real.

Silêncio. Talvez reflexão…

– A introspecção é uma proteção?

– Sim.

Novo silêncio. Algumas palavras vão profundas nos abismos das gentes. . .

– Nossa mente inconsciente é atemporal: não tem passado nem futuro. É como se tudo estivesse sendo vivenciado no momento presente. Não há discernimento do que aconteceu, o passado e o presente se misturam.

– Onde, então, me perdi temendo amar?

– Procure descobrir o que o medo simboliza para você, o que ele representa, pois, quanto mais o negamos, mais poderoso ele se torna. Explore seu medo, descubra o que está por trás dele. Arregace as mangas e trabalhe contra isso, sem pensar em desistir. Ou o medo controla você ou você o controla. Qual você prefere?

O ficar e o Amar…

FICAR: Verbo de LIGAÇÃO e INTRANSITIVO. Soa como algo que liga, mas que não depende de nenhum outro termo para ligar-se ao outro (termo). Diferente dos verbos transitivos que necessitam de seus COMPLEMENTOS. Os INTRANSITIVOS são verbos que possuem sentido pleno, completo, que não precisam de um COMPLEMENTO podendo construir, SOZINHOS, o predicado.

É minha gente, a língua representa mesmo o mundo da gente. Não sei bem se representa ou se explica, mas acredito nessa “denúncia” que a língua nos dá. É por isso que insisto em que precisamos ser bons leitores, para ouvirmos as dicas que ecoam por trás das singelas palavras. E aqui detém-se minha reflexão.

Recentemente, eu conversava banalidades e casualidades quando uma amiga, de idade próxima a minha e que costumeiramente se queixa de estar solteira mostrou-se (confesso que para minha surpresa) favorável ao FICAR. Até ai tudo bem (se é que eu consigo mesmo ficar – olha o sentido, hein – indiferente ao que vivencio), mas o tema voltou a me incomodar quando conversando com outra pessoa, em situação distinta (ambos aqui citados sequer se conhecem ou convivem), em idade próxima a minha – vale ressaltar – também mostrou-se favorável ao tal do relacionamento “ficar”.

Ai, senhores, confesso que eu comecei a me preocupar. Sim! Por que pensei: “Xi, tô tão moralista assim? Envelheci mesmo, hein? Tô “fora da casinha?” E toda aquele conflito que surge quando você não é idêntico ao meio. Sim! Fui repensar os meus VALORES!

Como vocês sabem, dentre cozinhar, dirigir, brincar com a minha sobrinha de 02 anos e tantas infinidades de coisas que gosto de fazer, inclui-se o pensar. Só que pensar é mais que gosto, é reflexo. Tão automático quanto respirar ou deixar o coração bater. E assim fiquei, pensando isso nos intervalos entre um e outro pensamento qualquer… (rs)

E ai brotou uma conclusão, a qual relato aos senhores na forma desse humilde texto. Por favor, vocês sabem que estou totalmente aberta a DIALOGAR sobre o assunto (amo isso! acredito no diálogo como forma de convívio entre pessoas e instituições). E ai vai minha idéia básica sobre o ditinho FICAR.

Como cidadãos de um Estado Democrático de Direito (achei tão chique esse termo, deve ser porque eu nasci na Ditadura!), nosso maior direito é o da LIBERDADE, certo?

Pois bem. TOOOODOS sabemos que a liberdade é LIMITADA e TEM PREÇO. Calma. Explico-lhes: como uma mocinha na faixa dos 30, conquistei a LIBERDADEde não precisar dar muitas satisfações aos meus pais. O PREÇO disso: pago todas as minhas contas e meu pai não me sustenta mais.

Ok. Isso é só um exemplinho pequenininho. Porque tem mais um detalhe: a LIBERDADE pressupões IGUALDADE, ou seja, tenho tanto direito de exercer minha liberdade quanto o outro, assim a minha termina onde a dele começa e ai vai. Resumindo: a dignidade é o limite. Tudo aquilo que fere a dignidade ou o respeito ao outro é o limite do que eu posso ou não fazer no convívio social. Quer dizer, deveria ser assim. E por não ser tão assim, percebemos  o NIVERRRRRRRR evolucionário que estamos, ou enquanto brasileiros, ou enquanto HUMANOS.

Tá, e esse blá, blá, blá todo tem a ver com o que no FICAR???? Com tudo, minha gente! Você já entenderá, é simples.

A escolha de ficar implica em exercer sua/minha/dele LIBERDADE, certo? É um pacto social entre dois seres (heteros ou homossexuais) que CONIVENTEMENTE aceitam saciar-se sexualmente sem se comprometerem emocional ou socialmente. Ou seja: implicitamente um comunica ao outro: “Irei te usar para me saciar meus instintos mais primários, tudo bem?” e o outro, conivente, consente.

Alguns a essa altura da leitura já estão indignados dizendo sozinhos: “Ahhhhhh, não é bem assim não! Não rola sexo, é só suprimento de carência mesmo.”  Mentira! Pois quando uso a palavra sexo aqui refiro-me aos seus vários níveis. E, convenhamos, senhores, sabemos o quanto beijos (ingênuos, ohhhh) e carícias são sexualmente estimulantes nesse tipo de relação ou você quer tentar me convencer que num pacto relacional em que eu me eximo do sentimento o objetivo seja outro???? Ok… querem me (se) enganar… É, concordo que a ignorância é uma delícia… Ahhhhhh, sim! Nisso eu concordo! Pode rolar do FICAR evoluir para um sentimento, um namoro, quem sabe. E ai entra o segundo ponto:

Diante disso, o FICAR torna-se um ato extremamente IRRESPONSÁVEL. Ohhhhhhhhhh, os já anteriormente indignados amanhã já nem falarão mais comigo…rs. Brincadeiras a parte, segundo o dicionário IRRESPONSÁVEL significa: aquele que não responde pelos seus atos. Sendo assim, considero até aceitável que menininhos e menininhas de 13, 14 – 16 anos fiquem ou desejem praticar esse tipo de relacionamento irresponsável e que vise a apenas uma saciação sexual. Afinal, todos fomos adolescentes e sabemos o que os hormônios nos causas (além de espinhas). É a fase da descoberta do outro e qualquer especialista explica isso muito melhor que eu. Mas o que me preocupa é que essa atitude, dentre as outras tantas típicas da irresponsabilidade adolescente, se estenda a adultos (ou àqueles que deveriam agir como tal).

Oras, se já passei da adolescência, se tenho condições de assumir compromissos responsáveis (pelos quais posso responder pelo meu sentimento/emoção/tesão) e tenho também consciência do outro e sou TAMBÉM responsável pelo outro. Considerando, inclusive, aquilo que posso provocar no outro. Por que não o faço? Assim, se eu fico e o outro se apaixona/ama/gosta de mim eu simplesmente digo: “Problema seu”, viro as costas e vou-me embora pra Passargada (mesmo!)????? I-RRES-PON-SA-BILIDADE! Pois, parafraseando Exupèry, se cativei, agora sou RESPONSÁVEL por isso, ou seja: devo responder por isso.

Quer dizer, os “adultos” continuam imaturos emocionalmente. Com medinhos de assumirem responsavelmente o outro, de respeitarem a si mesmos e a outros. E depois ainda tenho de ouvir desses mesmos “ficadores”: Aiiiiiiiii, não encontro ninguém! Hum…

Ou sejamos responsáveis, conosco em 1o lugar, e crescemos emocionalmente, ou continuaremos vendo umas locuradas por ai (de guri matando namoradinha de 12 anos, por exemplo).  Além de zilhões de gentes sozinhas, reclamando e carentes. Por que quando beijar todo mundo suprir a carência de alguém, eu sou a 1a a promover isso. No entanto o que vejo é um efeito “açúcar” quanto mais se come, mais dependência causa. Ai busca outro “docinho” pra suprir a dependência, e assim vai, de docinho em docinho…

Alguém ai disposto a um amor responsável junto comigo? 🙂

Com carinho, consciência e sempre buscando a essência das coisas, Rubi