Exisitir?!

acordar

Abriu os olhos com dificuldade. Dura coisa é não poder dormir quando se quer… Bem que o despertador poderia gritar essas rudes palavras. Ao menos seria mais suave e gentil que o berro alarmado do invasivo apito desperteiro que nos lembra todas as manhã que somos meros produtores dessa rotina que chamam de existir.

Não. Não combina com existir. Exisitir deve ser algo mais do que acordar-levantar-sair-trabalhar-voltar-BBB-Novela das 8-namorar-casar-divorciar-trabalhar-consumir-acumular-dever-morrer-futebol-carnaval… Isso soa mais semelhante a dEXISTIR.

Desistir de se conhecer, desistir de se respeitar, desisitir de silenciar, desistir de pensar, desisitir de interferir, desisitir de entender, desistir de mudar, desistir de sentir o amor acontecer devagarinho, desistir de gravar (em slow motion no coração) o filho crescer, desistir de olhar infinito nos olhos de quem se ama, desistir de retentar e tentar, desistir de gosto natural de suco de fruta, desistir de viver… exisitir…

Pensou isso tudo antes de abrir de vez os olhos. “A mente é mais veloz que gigabites internetianos.”- ainda concluiu.

E sorriu feliz, porque lembrou-se que muito recentemente passou a exisitir para alguém para quem se vale a pena existir. Como a vida lhe parece completa…

(From Rubi to Léo – with Love Forever ;- ) )

Do amor…

amor

Sabe, recentemente ao nos expormos (eu e meus alunos) ao conto do Machado de Assis “O Espelho”,  fomos levados a uma reflexão sobre coisas metafísicas, transcendência e tudo isso que a Ciência não explica. Foi então que o Eduardo, meu aluno, partilhou-nos essa:  

SE VOCÊ TEM TENTADO EXPLICAR O AMOR, É PORQUE VOCÊ DEIXOU DE VIVÊ-LO….

Parece que é uma citação de algum compositor, não soubemos ao certo. Só sei que existem palavras que vibram dentro de nós como eco. São mais ressonantes que outras e perpetuam seu som prolongadamente. E foi assim com essa citação…

O quanto você tem se permitido viver o amor? Ou o  quanto você tem se permitido

 simplesmente viver as tramas que a existência lhe oferece?

Essa tem sido minha escolha. Não me assusta mais os riscos da dor, impele-me o anceio da vivência. E, sabe, paradoxamente, essa permissão tem me levado a descobertas. E vivi, que amar é uma escolha unilateral. Sim, senhores, concordo que parece uma conclusão um tanto desconfortável, talvez até antagônica; porém, é exatamente isso.

Quando escolhemos amar alguém, o que esse alguém tem com isso? Por que nos dispomos a amar as pessoas como se, a partir do momento que decidimos amá-las, elas passassem a ter uma dívida conosco? Existe alguma espécie de tributo, de taxa, de cobrança só porque somos amados por alguém? Claro que não há! Não há lei ou regra que regula isso. Todas as nossas decisões, apesar de causar efeitos que ecoam por toda  a eternidade, são escolhas nossas. Pessoas não são mercadorias, não é o Peugeot no qual já vem o adesivo: “Eu amo o meu…”  Amor é decisão desapegada. Como diz Drummond: “Amor é dado de graça/Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama./ Porque amor é amor a nada,/ feliz e forte em si mesmo./ Amor é primo da morte, /e da morte vencedor, /
por mais que o matem (e matam)/a cada instante de amor.”

Escolhi amar. Se serei correspondida? Não sei. Só sei que tem sido interessante pensar que isso não me impede de amar. Ser correspondida, talvez seja uma consequência. Porém, essa descoberta de que sou LIVRE tem sido tão inédita , ingenuamente nova. Livre para aceitar as pessoas como elas são, livre para descobrir de quem gosto ou não. Livre para correr riscos, para simples e belamente VIVER

Qual são os medos que te impedem hoje de viver?

“Eu o amo, porque Ele nos amou primeiro…”

I João 4:19

Das disponibilidades humanas…

“Como feijão e arroz / Que só se encontram depois de abandonar a embalagem”

Fernando Anitelli

ponte_3

Sabe, nessa minha expontânea busca por saber, um aforismo me veio: as pessoas são como castelos medievaisDaqueles protegidos por imensas muralhas rodeadas por um lago. Algumas escondem em seus lagos ferozes jacarés, outras optam por não terem lagos.

Seja com ou sem jacaré, a questão é que o único acesso legítimo ao Castelo é pela PONTE. Tentar entrar por outros meios torna o acesso ou ilícito, ou violento, invasivo. É sempre uma agressão forçar a entrada.

Acontece que tenho visto muita gente reclamando que não encontra alguém legal pra habitar o seu castelo, mas essas… as quais NÂO ABAIXAM AS SUAS PONTES.

Explico: como você será amado(a) se você não permite as pessoas terem acesso a você? Pontes é aquilo que nos une aos outros, é a nossa disposição e disponibilidade para nos DEIXAR CONHECER, para partilhar de quem somos, da nossa vida, do nosso ser. De ligar pra saber COMO TÁ? De convidar, de fazer nada, de servir, de estar…

Tão próximos e tão distantes…

Alguém ai, por gentileza, me conta: em que universidade aprendo a CONSTRUIR PONTES QUE NOS LIGAM AOS OUTROS? Tô a fim dessa engenharia… Ou simplesemente, ser uma casinha construída sem muros, acessível às interperies da natureza?! Sim, talvez. Entretanto, disponível também para os curiosos, atentos, precisados (…) visitantes…

Boring…

“Se você se sente só, é porque construiu muros e não pontes”

 “OS OPOSTOS SE DISTRAEM… OS DISPOSTOS SE ATRAEM”

f.aNitelli