Da (in)sensibilidade masculina

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É, “sem horas” e “sem dores”, como percebem estou me especializando em “Homens”…rs. A análise, agora, é sobre a velha máxima “Homem é insensível”. Será??

Não sei quanto a você, mas eu tenho uma forte impressão de que existe um preconceito, uma resistência, à sensibilidade masculina. De onde surgiu isso eu não sei exatamente, talvez após o século XVII, com a super valorização da razão. Só sei que acredito ter fortes raízes na ignorância. Sim! Por que ignorância é o “estado do não-saber”. Sendo assim (antes que sua ignorância comece a gritar para você mesmo que sensibilidade é coisa de boiola) que tal buscarmos saber, oh raios d´água, o que significa a palavra “SENSIBILIDADE”?

Para isso reproduzo aqui as palavras da Filósofa Márcia Tiburi (http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=29):

(…) a sensibilidade é uma categoria do conhecimento e uma categoria política. Ela é a base, a via de acesso ao mundo externo ao nosso corpo, o modo como se estabelece nossa relação com as coisas, justamente por ser um modo como experimentamos nosso corpo e os demais corpos. É o modo como olhamos para as coisas, como ouvimos, mas também como as pensamos.

O que melhor resume a sensibilidade é que ela é uma capacidade de ter atenção às coisas, o modo como nos dispomos ao que não somos e não conhecemos.

O uso da razão, a produção do pensamento, depende desse gesto inicial de disposição, que envolve silêncio, a boa passividade e a escuta. O esforço de cada um, de todos os seres que sentem e usam a razão (sejam profissionais das artes, da filosofia, ou não), deve ser o de reunir, estabelecer pontes, reintegrar as capacidades. Toda nossa relação com a natureza e com o outro – além da relação com nosso próprio corpo, nosso próprio eu – depende deste esforço de integração do que está separado.

Resumindo minha gente: sensibilidade é a capacidade de PERCEBER. Perceber o outro, a mim, as situações, o momento. E essa sensibilidade, me perdoe, não é, nunca foi e jamais será exclusiva das mulheres. Ela é um atributo do HUMANO. Acontece que temos nos brutalizado, homens e mulheres. Temos nos esquecido de afinar o olhar. Quer ver um belo exemplo de que há sensibilidade nos homens? Basta ler Saramago, por exemplo. Ele é homem e escreveu uma bela lição sobre essa indiferença humana em “O ensaio sobre a cegueira”.

Talvez por ter, há mais tempo do que a mulher, de ser “máquina que supre o ideário produtivo e gerador do capital” o homem masculino foi se afastando dessa percepção de si mesmo e do seu redor. Adequou-se em ser razão. É a síndrome do cabeção: o cara sai da universidade com a cabeça cheia de conceitos e com o coraçãozinho pequeno, pequeno. Praticamente esquecido. Não é de se estranhar que tantas pessoas sejam excelentes profissionais ultra-mega-bem sucedidos e pais/maridos/amigo/filho fracassados.

Seja você homem ou mulher, deixo aqui um lembrete feito pelo genial Chaplin no “moderno” ápice da industrialização do século XX: “Não sois máquina, homem é que sois.” E um convite meu: que tal começarmos agora mesmo a resgatar a nossa sensibilidade? É um aprendizado, é possível e vale a pena 🙂


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