Arte Factus Falus et ?!

O dicionário define arte das seguintes fÔrmas:

1. Conjunto de preceitos para a perfeita execução de qualquer coisa;

2. atividade criativa;

3. artificio;

4. ofício;

5. profissão;

6. astúcia;

7. habilidade;

8 . travessura.

Claro que a definição que escolhi foi travessura. Não assim aquela travessura de bagunça, de mal-feito, de malícia. Não. Mas uma travessura curiosa, de criança que se encanta. Sabe como? De quando a gente é pequeno vê borboleta e grita pra mãe: “Maaaaaaaãe! bOboleta!” E aponta o dedinho com um risinho travesso de quem acabou de descobrir algo. Porque a arte, senhores, é a sublimação do belo, é a expressão da angústica calada de quem percebe o seu derredor. É, portanto,  uma condição do OLHAR. Toda criança tem um olhar “arteiro”, uma facilidade de se encantar, de se admirar do ser.

A questão é que insistimos em crescer sisudos. Ignorando a criancice que outrora habitou em nós. Claro que há aqueles que de alguma forma mantiveram viva a criança interior. Esses, meu caros, são os artistas. Há os que os consideram meio doidinhos. Não importa. Não viciaram o olhar. Mantêm viva a “contemplação borboleteal” e ao ouvir o barulho da chuva, numa segunda-feira fria, dizem a si antes de se prepararem para o trabalho: “Que bonita a sinfonia que faz a terra brotar”. Poliana? Talvez. Mas prefiro pensar que é “poetiana”.

Outra travessura da arte é que ela ousa. Quem me conhece sabe que eu tenho uma certa necessidade intrísica (sim, é mais forte que eu… já tentei controlar, acredite) para o novo. Como diz o Miojo: a-d-o-r-o! Falou em inovação, é comigo mesmo. Essa coisa de ousar, de transpor, de romper – seja com paradigmas, conceitos ou com padrões – faz parte de eu ser eu. Por que sou assim, não sei. Talvez eu tenha nascido para isso, ou aprendi a ser assim: travessa. Sempre procurando uma borboletinha pra borboletear, para contemplar, para descobrir, para gritar apontando o dedinho: “Mãaaaaaaaaaae! Borboleta!” E correr livre atrás dela, praticamente acreditando que também poderei voar…

(maybe let´s continuous)