Massacre em escola no Rio de Janeiro

Comemoração dos quarenta anos da escola. “Eles terão motivo para comemorar.” Memórias de uma dor que não cessa, alimentada pelo desvalor e pela solidão.

– Você não tem jeito mesmo.
– Ah, burrão!
– Zero! Conseguiu tirar zero!
– Desse jeito vai ser mais um nada na vida!
– Bichinha!

E assim se constrõem os horrores, os desvalores, as feridas emocionais que alimentam demônios. Quem são as vítimas de fato? Quem são os vilões?

E na TV o comentarista tudo explica com a necessária frieza: “Na maioria das vezes, a violência está diretamente ligada à educação. Até que ponto as famílias não são permissivas? Até que ponto as famílias não criam um clima que favorece essa visão de mundo: egocêntrica, até narcísica, das pessoas passarem a achar que o que eles querem eles têm direito?”, indaga o antropólogo Gilberto Velho.

E na cabeça, a bala que grita para sempre o eco da solidão. Quem olhou por ele? Quem velará seu corpo mórbido? Quem um dia o percebeu?

Certamente, suas memórias doídas não tinham motivo para comemorar… Foi a coletivização da dor.