“Durma medo meu”

As figuras atormentadas sucubiam-lhe a mente, entre o devaneio e a insônia, entre

o início do sono e o pesadelo. Taquicardia. Suor. Não-palavras. Não-fatos. Apenas projeções de uma alma marcada. Cicatrizes dilacerantes, que como as da pele dizem-se ali, presentes, durante os dias de chuva intensa. As da alma esperneiam em momentos de exposição ao novo, ao inédito, ao objeto do desejo de se proteger.

– Adoramos correr riscos. Gracejou – comemoramos por chegarmos vivos lá embaixo.

– A cada situação nova, inesperada, que representa um perigo, surge o medo. – Explicou-lhe – o medo irracional, sem causa real, deve ser enfrentado. Nosso inconsciente não diferencia fantasia de realidade. Por isso, ficar pensando em todas as vezes que não conseguiu, ou ainda, que nem adianta começar, baseando-se nas experiências anteriores negativas, fará com que sua mente reaja de acordo com esse pensamento, pois o medo nasce da associação que nossa mente estabelece com essas experiências, sem discernir que não ocorrerão mais. Sua mente não sabe distinguir o que é passado e presente, realidade e fantasia. E se esse seu pensamento continuar presente, sua mente irá acreditar nele como real.

Silêncio. Talvez reflexão…

– A introspecção é uma proteção?

– Sim.

Novo silêncio. Algumas palavras vão profundas nos abismos das gentes. . .

– Nossa mente inconsciente é atemporal: não tem passado nem futuro. É como se tudo estivesse sendo vivenciado no momento presente. Não há discernimento do que aconteceu, o passado e o presente se misturam.

– Onde, então, me perdi temendo amar?

– Procure descobrir o que o medo simboliza para você, o que ele representa, pois, quanto mais o negamos, mais poderoso ele se torna. Explore seu medo, descubra o que está por trás dele. Arregace as mangas e trabalhe contra isso, sem pensar em desistir. Ou o medo controla você ou você o controla. Qual você prefere?

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