“Não sois máquina…”

O Grande Ditador

Wellllllll, fiquei empolgadinha com o comentário no post anterior. De repente passou por mim que homens andam lendo meus posts e se repensando e se isso pode ajudá-los, bingo! Pessoas melhores, humanidade melhor (Eh, Rubi mafaldiando). Quem sabe algum deles se apaixona pelo que escrevo e resolve me convidar para jantar?! ahauahuahau. Aceito! Deixando de lado as divagações, faço minha confissão: retirei na íntegra, de um site, (na cara dura mas com a devida menção) o texto abaixo. É o discurso do Chaplin. Gente! SUPER ATUAL!!! Vale a pena ler e pensar sobre. Bom desfrute! 🙂

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Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin

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Da (in)sensibilidade masculina

saramago-2

É, “sem horas” e “sem dores”, como percebem estou me especializando em “Homens”…rs. A análise, agora, é sobre a velha máxima “Homem é insensível”. Será??

Não sei quanto a você, mas eu tenho uma forte impressão de que existe um preconceito, uma resistência, à sensibilidade masculina. De onde surgiu isso eu não sei exatamente, talvez após o século XVII, com a super valorização da razão. Só sei que acredito ter fortes raízes na ignorância. Sim! Por que ignorância é o “estado do não-saber”. Sendo assim (antes que sua ignorância comece a gritar para você mesmo que sensibilidade é coisa de boiola) que tal buscarmos saber, oh raios d´água, o que significa a palavra “SENSIBILIDADE”?

Para isso reproduzo aqui as palavras da Filósofa Márcia Tiburi (http://www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?id_m=29):

(…) a sensibilidade é uma categoria do conhecimento e uma categoria política. Ela é a base, a via de acesso ao mundo externo ao nosso corpo, o modo como se estabelece nossa relação com as coisas, justamente por ser um modo como experimentamos nosso corpo e os demais corpos. É o modo como olhamos para as coisas, como ouvimos, mas também como as pensamos.

O que melhor resume a sensibilidade é que ela é uma capacidade de ter atenção às coisas, o modo como nos dispomos ao que não somos e não conhecemos.

O uso da razão, a produção do pensamento, depende desse gesto inicial de disposição, que envolve silêncio, a boa passividade e a escuta. O esforço de cada um, de todos os seres que sentem e usam a razão (sejam profissionais das artes, da filosofia, ou não), deve ser o de reunir, estabelecer pontes, reintegrar as capacidades. Toda nossa relação com a natureza e com o outro – além da relação com nosso próprio corpo, nosso próprio eu – depende deste esforço de integração do que está separado.

Resumindo minha gente: sensibilidade é a capacidade de PERCEBER. Perceber o outro, a mim, as situações, o momento. E essa sensibilidade, me perdoe, não é, nunca foi e jamais será exclusiva das mulheres. Ela é um atributo do HUMANO. Acontece que temos nos brutalizado, homens e mulheres. Temos nos esquecido de afinar o olhar. Quer ver um belo exemplo de que há sensibilidade nos homens? Basta ler Saramago, por exemplo. Ele é homem e escreveu uma bela lição sobre essa indiferença humana em “O ensaio sobre a cegueira”.

Talvez por ter, há mais tempo do que a mulher, de ser “máquina que supre o ideário produtivo e gerador do capital” o homem masculino foi se afastando dessa percepção de si mesmo e do seu redor. Adequou-se em ser razão. É a síndrome do cabeção: o cara sai da universidade com a cabeça cheia de conceitos e com o coraçãozinho pequeno, pequeno. Praticamente esquecido. Não é de se estranhar que tantas pessoas sejam excelentes profissionais ultra-mega-bem sucedidos e pais/maridos/amigo/filho fracassados.

Seja você homem ou mulher, deixo aqui um lembrete feito pelo genial Chaplin no “moderno” ápice da industrialização do século XX: “Não sois máquina, homem é que sois.” E um convite meu: que tal começarmos agora mesmo a resgatar a nossa sensibilidade? É um aprendizado, é possível e vale a pena 🙂